Um espírito criativo, artístico e inquieto. Do nome civil Fernando Leite a Deeplick,
pseudônimo pelo qual é conhecido, foram necessários apenas alguns anos. Aos 8, o hoje produtor,
radialista, compositor, DJ e músico aproveitou a infância solitária típica dos filhos únicos para ouvir
vinis e mais vinis que encontrava em casa e começar suas experimentações a la Professor Pardau,
colocando fitas, gravando transmissões, colocando copos de plástico na vitrola para tocar frente e
verso dos vinis mixando sem mixer. “Lembro até hoje de um vinil que ouvi da minha tia, aquilo
mudou minha vida. O tempo passa, mas essa referência volta em trabalhos que eu nem imagino que
tenham a ver com isso”.
Talvez esta seja a essência do seu trabalho: a invenção com “lastro”. Por lastro, leia-se, a
paixão pela música, pelos inventores de épocas passadas, aqueles com os quais Deeplick se
identifica e procura reverenciar em samples, citações e se inspirar para dar continuidade ao novo
que não se esquece do passado. A esta alquimia some-se muito estudo e pesquisa artística e
tecnológica de ferramentas e eis que surge uma hipótese de como o trabalho de Deeplick alcançou
as pessoas e os artistas que confiaram a ele suas composições.
Seu Jorge, Vanessa da Mata, Skank, Marisa Monte, Tiê, Leandro Lehart, Mallu Magalhães,
Capital Inicial, Jota Quest, Negra Li, Paula Lima, Arnaldo Antunes, A Banda Mais Bonita da
Cidade, Marcelo D2, Ana Carolina, Daniela Mercury, Claudia Leitte, Rita Ribeiro e muitos outros
grandes talentos fazem parte da extensa lista de colaborações do produtor. Artistas diferentes, de
portes diferentes, de estilos diferentes, mas únicos na simbiose e na inspiração catalizadas pelo
desafio de adentrar a um universo muito particular e criar uma versão diferente, mas capaz de
sensibilizar seu criador original. Desafio este encarado com muito respeito e devoção, que gerou
hits e amizades: durante anos as versões de Deeplick estiverem no topo das paradas de todo o País.
A dedicação de Deeplick quebrou fronteiras e também conquistou artistas internacionais.
Trabalhos que começaram como prestação de serviços e terminaram em parcerias. Shakira gostou
tanto do resultado do remix de “She Wolf” que o tornou oficial no mundo todo e inseriu timbres e
trechos na versão ao vivo interpretada em sua turnê. Ricky Martin o procurou pessoalmente para o
dueto “Samba”, de início para cuidar da participação da cantora Claudia Leitte . A sintonia foi
tanta, que acabaram se tornando coautores e Deeplick foi recrutado para ser coprodutor da faixa
com o produtor de Ricky.
Sintonia e sincronidade também foi o que o aproximou de Carlinhos Brown e Gabriel O
Pensador. Resultado: ambos estão com discos novos prontos para serem lançados, com produção de
Deeplick, que mais do que um produtor, se tornou um parceiro para composições e apresentações.
Tudo feito no Tuntune, mistura de estúdio, qg, casa, retiro, abrigo, locação de festa, restaurante
caseiro e ponto de encontro de mentes inquietas e espíritos criadores.
Mas a usina criativa de Deeplick ainda exigia que na paralela destes trabalhos, ele desse
vazão às suas ideias em criações autorais e em sets com remixes feitos de forma extraoficial
somente para seu trabalho como DJ. Foi assim que surgiram os projetos “Ain’t No Joke” e “Batida
Nacional”. Projetos montados com amigos, que assim como ele, têm a música como vida e alma.
Projetos inventivos, inovadores e compromissados com um lema de existência: o amor, o bem e a
consciência e a esperança de um novo mundo melhor e possível.